quarta-feira, 26 de agosto de 2009

À MINHA FILHA


Vejo em ti repetida, A anos de distância,
A minha própria vida, A minha própria infância.
É tal a semelhança, É tal a identidade,
Que é só em ti,criança, Que entendo a eternidade.
Todo o meu ser se exala, Se reproduz no teu:
É minha a tua fala, Quem vive em ti, sou eu.
Sorris como eu sorria, Cismas do meu cismar,
O teu olhar copia, Espelha o meu olhar.
És como a emanação, Como o prolongamento,
Quer do meu coração, Quer do meu pensamento.
Encarnas de tal modo, Minha alma fugitiva,
Que eu não morri de todo Enquanto sejas viva!
Por que mistério imenso Se fez a transmissão,
De quanto sinto e penso Para esse coração?
Foi como se eu andasse Noutra alma a semear,
Meu peito, minha face, Meu riso, meu olhar...
Meus íntimos desejos, Meus sonhos mais dourados,
Florindo com meus beijos, Os campos semeados.
Bendita é a colheita, Deus confiou em nós...
Colhi-te, flor perfeita, Eco da minha voz!
Foi o amor, foi o amor, Ó filha idolatrada,
O sopro criador, Que te tirou do nada!
Deus bendito e louvado, Ó filha estremecida,
Por te cá ter mandado, A reviver-me a vida!





















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